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Agenda Econômica Semanal – 2 a 8 de agosto de 2021

Reunião do Copom será o destaque da agenda doméstica

 

Na quarta-feira, teremos o principal evento da semana, a reunião do Copom. Acreditamos que o Copom acabará acelerando o ritmo de normalização da política monetária, diante da piora recente da inflação e das expectativas. Assim, diante das últimas sinalizações do Banco Central esperamos que a autoridade monetária optará por aumentar a taxa Selic em 100 basis points (bps) agora em agosto, ou seja, elevando a Selic para 5,25% a.a., além de indicar mais 100 bps na próxima reunião. Ainda assim, a reação aos choques que vêm pressionando os índices de preços no curto prazo deve levar em conta sua natureza, o ineditismo da pandemia e as incertezas que carregam para as projeções, além do risco de propagação, que nos parece baixo. Além da magnitude do ajuste, outro ponto de atenção será em relação à possibilidade de o comunicado sugerir um patamar final maior para a Selic no fim do atual ciclo de alta. Com a pressão inflacionária sem dar trégua, ganha força a leitura de que a Selic pode ter que subir além do nível neutro (estimado em 6,5%) ainda em 2021. Neste sentido, a projeção mediana do mercado (Relatório Focus) já está em 7,0% a.a.. Nesse sentido, não nos parece que a normalização dos juros irá convergir para um processo de aperto monetário tradicional. Além disso, entendemos que o BC ainda não admitirá a necessidade de levar a política monetária para patamar acima do neutro, porém, tende a diminuir o peso dado a esse ponto, se mantendo mais dependente dos dados.

Na última reunião, o Copom adotou uma postura mais contundente em relação à inflação, mencionando que essa tem se apresentado mais firme do que o projetado. Ainda assim, o Comitê sinalizou na ocasião novo ajuste de 750 bps para a Selic, embora tenha deixado em aberto a possibilidade de um ajuste maior, reforçando seu comprometimento com a meta de 2022. Contudo, os indicadores mais recentes de inflação não trouxeram conforto significativo, e a apreensão com a desancoragem das expectavas tem ganhado força, com a expectativa para 2022 atingindo 3,8% (ante meta de 3,5%).

No contexto de nível de preços, teremos esta semana o IPC-FIPE de julho (terça-feira), que deve sair de 0,81% para 1,0%, impulsionado pelos in natura e a energia elétrica. O IPC-S da 4ª quadrissemana de julho deve se manter em 0,90%. Destaque para as altas de alimentos, energia elétrica e combustíveis sendo contrabalanceadas pela desaceleração das passagens aéreas. O IC-Br de julho, que tem ganhado importância devido às fortes altas deste ano e a alta volatilidade recente, sairá na quarta-feira.

Na terça-feira, a produção industrial de junho deve mostrar avanço contido 0,2% (MoM). Dá suporte à nossa avaliação, os persistentes problemas com a escassez de semicondutores, que prejudica a produção de veículos. O resultado deve seguir refletindo um comportamento heterogêneo entre as atividades do setor, com destaque negativo para a produção de bens de consumo duráveis (principalmente produção de veículos), que devem seguir em retração por conta das dificuldades na obtenção de insumos. Assim, apesar do 2º avanço mensal seguido, a indústria deve amargar uma retração de 2,4% no 2º trimestre, influenciada pela retração da categoria de bens duráveis.Diante do contexto, os indicadores coincidentes vieram fracos, com destaque para a produção de veículos (-5,5%, MoM, Anfavea), o fluxo de veículos pesados nas estradas (-1,7%, MoM, ABCR) e a carga de energia (-0,2%, MoM, ONS). Pelo lado da demanda, o dado de junho de emplacamentos da Fenabrave também decepcionou (-7,0%, MoM).

Por acaso, os dados do setor de veículos também serão divulgados essa semana. A Fenabrave divulga (terça-feira) os emplacamentos (vendas), e a Anfavea informa (sexta-feira) a produção de veículos, ambos de julho. A expectativa é que o setor mostre alguma recuperação, impulsionada pela reabertura das concessionárias e aumento da confiança dos consumidores, embora a falta de insumos deva seguir como um fator limitante no curto prazo.

No cenário global, destaque para os dados do mercado de trabalho nos EUA em julho O payroll e a taxa de desemprego têm sido relevantes para prever a condução da política monetária pelo Fed. Nesse sentido, depois de iniciar as discussões sobre a retirada dos estímulos nesta semana, os dados que serão divulgados na próxima sexta feira, referentes a julho, deverão ajudar na calibragem dos próximos passos do Fed.

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