Copom e juros nos EUA pautam agenda doméstica

O ataque à Saudi Aramco lança incertezas tanto no cenário econômico internacional quanto no doméstico, numa semana que traz as decisões do FED e do Copom sobre as taxas básicas de juros nos EUA e aqui no Brasil respectivamente.

No Brasil, o ataque terrorista à petrolífera estatal saudita direciona as atenções à comunicação do Copom em relação aos próximos na condução da política monetária. Com o ocorrido na Arábia Saudita, o Copom tem um novo e inesperado fator de tensão sobre os preços dos combustíveis, que pode impactar no curto prazo a inflação. Os primeiros dias desta semana trarão muita indefinição e cautela, que tendem a atingir todos os mercados e grande parte dos ativos. Mas as próximas horas de repercussão serão decisivas para decidir a vida da Selic. A REAG mantém sua projeção de que a Selic será cortada em 0,5 ponto porcentual, passando dos atuais 6,0% a.a. para 5,5 % anuais.

Com a inflação mantendo-se abaixo do centro da meta (4,25%) e com tudo indicando que o Brasil crescerá pelo menos de 1% este ano, o Copom justificaria o corte de mais 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros brasileira em setembro para acompanhar o ciclo de desaperto global. Endossando a inflação ancorada, o IGP-10 apresentou alta nesta segunda-feira a leitura de setembro, com alta de 0,29% em setembro, taxa maior que a de agosto (deflação de 0,47%), mas inferior ao índice de setembro do ano passado (inflação de 1,20%). O IPC-S da FGV desta semana (divulgado nesta manhã) desacelerou a 0,05% na segunda quadrissemana de setembro após 0,15% na medição anterior.

Além disso, os economistas do mercado financeiro alteraram a previsão para o IPCA em 2019 e 2020. O Relatório de Mercado Focus, divulgado também nesta segunda-feira, mostra que a mediana para o IPCA este ano passou de alta de 3,54% para elevação de 3,45%. Há um mês, estava em 3,71%. A projeção para o índice em 2020 foi de 3,82% para 3,80%. Quatro semanas atrás, estava em 3,90%. As parciais do IGP-M e IPC-Fipe serão divulgadas na quarta-feira, horas antes do Copom. Os resultados da inflação são os únicos indicadores de relevância programados para a semana. Não há dados fiscais nem de atividade econômica.

Esta semana, a FGV divulgará ainda a prévia de setembro da Sondagem da Indústria, o que ajudará saber se os dados de julho de comércio e serviços foram ou não pontuais.

No exterior, o foco será a reunião de política monetária do Fed e os indicadores de atividade na China. O banco central dos EUA deverá reduzir a taxa de juros em 0,25 p.p., reagindo à intensificação dos riscos ao crescimento global e local. Dependendo de como evoluir essa crise na oferta nos próximos dias, sobretudo em relação à escalada dos preços do petróleo, os dirigentes do FED ganharão novos argumentos para manter o juro estável. Nos EUA, antes mesmo do estouro do petróleo, o FED se tornou imprevisível, com apostas isoladas de última hora de que o juro pode não cair, após a surpresa das vendas no varejo em agosto (+0,4%, dobro da previsão). Reavaliando a abordagem dovish, saltou de 12,3% para 20,4% entre os contratos futuros dos FED Funds a chance de o juro americano ficar onde está. O corte de 25 pontos ainda é majoritário (79,6%).

Os dados fracos da produção industrial e das vendas no varejo na China podem antecipar novos estímulos pelo PBoC, que define na noite de quinta-feira a taxa de referência de empréstimo (LPR). Ainda esta semana, decidem juro o BOJ japonês, na virada de quarta-feira para quinta-feira, e o BoE inglês (quinta-feira). No Japão, a expectativa é de manutenção da política monetária inalterada, mas o que se comenta é que o BoJ está cada vez mais aberto à ideia de cortar sua taxa de juro já negativa, em resposta aos riscos globais. Dependendo de como a economia mundial evoluir, o BC japonês já poderá começar a pensar mais seriamente em opções de relaxamento monetário, quem sabe, na sua próxima reunião, marcada para outubro. Na zona do euro, o destaque vai para a leitura final da inflação ao consumidor (CPI) em agosto, na quarta-feira.

 

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