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Agenda Econômica Semanal – 13 a 19 de junho de 2022 : Na agenda doméstica, atenção para a reunião do Copom na quarta

As atenções do mercado estarão voltadas para a reunião do Copom desta semana, que ocorre nos dias 14 e 15 de junho, que deve elevar a Selic em 0,5 pp para 13,25% aa, podendo ser o fim deste ciclo de elevação da taxa básica de juros que está sendo conduzido pela autoridade monetária. Entre as justificativas para o aumento, a instituição deverá destacar a preocupante situação da inflação atual e suas expectativas não convergindo para a meta no horizonte relevante. Acerca do fim do ciclo, deve ser destacada a tempestividade do Banco Central no movimento de aperto quando comparado aos outros países do mundo e o horizonte relevante dando maior peso para 2023 e 2024 (a partir de agosto). Além disso, no curto prazo, medidas fiscais para controlar a inflação e o aumento de risco decorrente também deverão ser mencionadas. Apesar da perspectiva de que esse possa ser o último aumento deste ciclo de altas, não é totalmente descartado que a autoridade monetária considere que as futuras decisões serão dependentes de dados, deixando a porta aberta para mais um ajuste de mesma magnitude.

 

Na reunião anterior, o Comitê sinalizou um ajuste de menor magnitude na reunião desta semana, frisando que como o atual ciclo já está no fim, com impactos da política monetária ainda por serem observados, destacando ser necessário cautela na condução do ajuste, sobretudo diante do elevado nível de incerteza na atual conjuntura. Tal mensagem foi interpretada como uma indicação que este pode ser o último ajuste do atual ciclo.

 

Contudo, a inflação segue bastante pressionada (em nível global) e as projeções estão acima da meta para 2023 (horizonte relevante), o que tem levado parte do mercado a questionar a viabilidade de tal estratégia, projetando, assim, uma taxa Selic terminal em 13,50% aa ou mais, com o fim do ciclo apenas em agosto. Assim, a principal dúvida sobre esta reunião recai sobre a sinalização do colegiado, se este será ou não o último movimento do Copom. Outro ponto interessante é entender como o colegiado avalia o pacote proposto pelo governo sobre os combustíveis, dado que pode reduzir a inflação deste ano, mas elevar a do ano que vem (além dos efeitos negativos de segunda ordem, como piora da percepção do risco fiscal), o que teoricamente dificultaria ainda mais o trabalho da autoridade monetária, dado que o horizonte da política monetária já migrou para 2023.

Na terça-feira, o volume de serviços deve avançar 0,4% (MoM), refletindo o movimento positivo do varejo ampliado (0,7%). Além disso, a maior mobilidade devido à redução recente das medidas restritivas e retorno ao trabalho presencial também deverá contribuir positivamente. Limitando o movimento, destaque para o alto nível dos preços combustíveis e o, subsequente, menor fluxo de veículos pesados nas estradas (-7,5%). Em conjunto com os resultados positivos da indústria (+0,1%) e do varejo (+0,7%) em abril, o bom desempenho esperado para o setor de serviços sustenta a perspectiva positiva para o PIB do 2º trimestre.

Na seara inflacionária, a FGV divulga o IGP-10 de junho (quarta-feira), que deve mostrar alta de 0,65% no mês, acelerando ante maio (+0,10%). O indicador deve ser pressionado pela alta de algumas commodities agrícolas no atacado, que devem mais do que compensar a acomodação dos bens industriais, puxadas pela queda do minério de ferro. Em 12 meses, contudo, o índice deve seguir em desaceleração, de 12,13% para 10,32%.

Ao longo da semana, também poderá ser divulgado o resultado do governo central de abril. Nossa estimativa é que ocorra superávit de R$24.8 bi.

No exterior, destaque para os dados de inflação na China e nos EUA e para a reunião de política monetária do Banco Central Europeu. O BCE se reúne na quinta-feira para definir a taxa de juros da região. Esperamos manutenção dos juros nesta reunião e sinalização de que o primeiro movimento de alta ocorrerá na reunião seguinte, em julho.

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