Pela quarta vez seguida, o Banco Central manteve inalterado os juros básicos da economia. Por seis votos a dois, o Copom anunciou ontem a manutenção da Selic em 14,25% ao ano. A decisão nos surpreendeu, uma vez que a posição da REAG era para um aumento de 0,5 ponto percentual. Acreditávamos na possibilidade de que um novo ciclo de alta da Selic dada a urgência de o governo mostrar austeridade na sua política monetária de convergência da inflação rumo à meta em um ano eleitoral, apesar de efetivamente o aumento da Selic agravar ainda mais a recessão e o endividamento público. Ainda que nossa aposta não se concretizou, a REAG posiciona-se positivamente à tomada de decisão do Copom, uma vez que prevaleceu a racionalidade dos fundamentos macroeconômicos sobre a irracionalidade política.
Apesar de o Banco Central sinalizar pelo aumento da Selic desde o final do ano passado, pressões do setor produtivo, do governo, do Partido dos Trabalhadores e em meio a sinais de que a economia terá uma retração mais forte fizeram com que a decisão fosse reavaliada. A súbita mudança de rumo do Banco Central deixa no ar a impressão de que houve ingerência política na decisão, com prejuízo à confiança do mercado nos próximos comunicados feitos pelo banco. Na nossa opinião, caso a manutenção da Selic fosse uma decisão independente do Banco Central a repercussão não seria de todo o mal. Contudo, ela veio ontem depois do comunicado do presidente da entidade, Alexandre Tombini, dizendo que a forte deterioração nas expectativas do FMI para a economia brasileira seria levada em conta pelo Copom. A forma como a decisão de mudança de rota foi tomada, às vésperas do anúncio, apenas reitera nosso temor em relação à falta de independência do Banco Central e do risco de as futuras declarações da autoridade monetária caírem em descrédito.
Os juros básicos estão em 14,25% desde o fim de julho do ano passado, no mesmo patamar de outubro de 2006. A Selic é o principal instrumento de política monetária do Banco Central de controle da inflação, cuja meta é de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos porcentuais para cima e para baixo. O IPCA fechou 2015 com alta de 10,67% em 2015, a maior taxa desde 2002. Nossa expectativa é que o índice de inflação oficial feche este ano em torno de 7%.
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Embora a alta da Selic ajude no controle dos preços, o aumento dos juros prejudica a economia em um ambiente econômico que atravessa o segundo ano seguido de recessão. Ao elevar a Selic, o Banco Central inibe a demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Contudo, essa manobra seria parcial, uma vez que grande parte da nossa inflação provém de alta nos custos e não em alta no consumo. Por outro lado, ao reduzir os juros, o Copom barateia o crédito e incentiva o investimento e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.
 

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