Dependendo da ótica como enxergamos o resultado do PIB no 1º trimestre de 2019, podemos ter uma sensação de alívio ou de angústia. Se a perspectiva é vislumbrar um copo cheio, constata-se que a economia brasileira (ainda) não está em recessão técnica, caracterizada por dois trimestres seguidos de contração de atividade. Era temerário que o resultado fraco do final de 2018 fosse revisado para baixo, entrando em território negativo, o que não aconteceu. Por outro lado, se o objetivo é enxergar o copo vazio, angustia-se saber que o resultado do primeiro trimestre veio negativo, o que não acontecia desde 2016, interrompendo o ritmo de retomada.

Ainda assim, é a recuperação mais fraca já registrada na história econômica brasileira. O PIB per capita do brasileiro ficou estagnado após uma grave recessão, dando margem para que se fale cada vez mais em uma nova década perdida. Após dois anos após recessão, a performance econômica patina, apesar de fatores benignos como a inflação ancorada na política monetária, a balança de pagamentos contando a nosso favor e condições financeiras e de liquidez acomodativas. Em linha geral o resultado negativo do PIB no primeiro trimestre deste ano advém de uma combinação perversa de choques adversos, impasses estruturais da economia doméstica, ruídos e cabeçadas entre o executivo e a equipe econômica do governo Bolsonaro.

O investidor continua acuado e amedrontado, a desconfiança inibe os investimentos e as oscilações no câmbio reforçam a estagnação econômica dos três primeiros meses deste ano. A lua de mel liberalista vem se deteriorando muito rapidamente por conta do cenário que o próprio Bolsonaro criou e da sua dificuldade em estabelecer uma coordenação política mais harmonizada. Todas as apostas se concentram na Reforma da Previdência, tida por muitos como a bala de prata salvadora da pátria.

O PIB brasileiro caiu 0,2% no 1º trimestre, na comparação com o último trimestre do ano passado. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. Trata-se da primeira queda desde o 4º trimestre de 2016 (-0,6%). Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o PIB cresceu 0,5% entre janeiro e março, pior resultado desde o 1º trimestre de 2017 (0,1%), representando uma desaceleração significativa em relação aos meses anteriores (1,1% no 4º trimestre de 2018 e 1,3% no 3º trimestre de 2018). A perda de fôlego da economia fica mais evidente quando se analisa a taxa acumulada nos últimos quatro trimestres em relação ao mesmo período do ano anterior. Nessa base de comparação, a alta foi de 0,9% no 1º trimestre, abaixo do avanço de 1,1% no 4º trimestre de 2018 e de 1,4% no 3º trimestre de 2018.

O desempenho fraco da economia nos últimos meses, a queda dos índices de confiança de empresários e consumidores, e as incertezas em relação à tramitação da reforma da Previdência no Congresso têm levado analistas e instituições a revisarem para baixo suas previsões para o PIB de 2019. De acordo com a última pesquisa Focus do Banco Central, os economistas dos bancos passaram a estimar crescimento de 1,23% para este ano. Foi a 13ª queda seguida na previsão. Parte do mercado, entretanto, já trabalha com a hipótese de uma alta do PIB abaixo de 1%. Na semana passada, o Ministério da Economia baixou a sua previsão de crescimento de 2,2% para 1,6% em 2019. A REAG mantém sua projeção de que economia crescerá 1,5% este ano. Em 2018, o crescimento econômico foi de 1,1%, após alta de 1,1% em 2017, e retrações de 3,5% em 2015, e 3,3% em 2016.

imagem 1
 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Preencha esse campo
Preencha esse campo
Digite um endereço de e-mail válido.
Você precisa concordar com os termos para prosseguir

quatro × dois =

Menu